Gangue de dois: Fábio Moon e Gabriel Bá

“É legal ter uma gangue. Nós não tínhamos uma. Éramos nossa própria gangue”, conta o artista Gabriel Bá, nos primeiros minutos da palestra que fez com seu irmão gêmeo Fábio Moon, no segundo evento do ciclo de palestras ‘Quartas ao Cubo’, que discute quadrinhos no mês de abril e foi aberto no dia 8 por Lourenço Mutarelli.

Apesar de serem fisicamente parecidos, as diferenças são facilmente percebidas, a começar pelo visual. Enquanto Gabriel veste uma camiseta preta estampada, calças jeans azuis desbotadas com uma corrente como adereço e tênis amarelos; Fábio optou por um colete sobrepondo uma camisa, calças escuras e sapatos. Fábio está com o rosto barbeado, Gabriel mantém a barba. Gabriel começa falando de maneira tímida, depois se empolga. Fábio mantém o mesmo tom convidativo e simpático durante toda a palestra. Essas disparidades fazem parte do espetáculo visual dos artistas.

Fábio Moon (esquerda) e Gabriel Bá (direita)

Fábio Moon (esquerda) e Gabriel Bá (direita)

Ei, no final da matéria tem uma entrevista exclusiva com os gêmeos 😉
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Lourenço Mutarelli, um homem de detalhes

Lourenço (1)O homem de 50 anos, movimentos lentos e tranquilos, fala mansa e calma e tom de voz quase inalterável, não parece o criador de histórias perturbadoras, realidades kafkianas e anti-heróis tortos, que nos acostumamos a ver em seus livros e quadrinhos.

Sob aplausos, Lourenço Mutarelli sobe ao palco no Itaú Cultural, em São Paulo, para abrir o evento ‘Quartas ao Cubo’, dedicado à discussão sobre HQs durante o mês de abril. O artista foi chamado para falar sobre um tema que domina: diálogo de quadrinhos e outras formas de expressão artística.

“Me perdoem pelas roupas, mas eu achei que iria usar tinta. Bom… Eu não me visto melhor na vida real”, desabafa. Ele ajeita o casaco jeans, que sobrepõe uma camisa com manchas de tinta; uma calça bege cheia de bolsos e uma bota preta completam o vestuário. Para ele, estar no palco, falar sobre arte, é estar fora do mundo real. Ali, ele habita um mundo que pode dizer e desenhar o que quiser sem se preocupar em ser entendido.

Trabalhando com arte desde os 24 anos, Mutarelli diz que até tentou ser outra coisa, mas não levava jeito para nada. “Fui bedel, motorista, entrei como gerente de uma farmácia e saí como o rapaz dos pacotes. Eu não me dou bem com o mundo real. A arte, a arte, arte…” – ele procura as palavras, enquanto desenha, perdido no que não sabe ainda como dizer – “É uma doença, né? Se você tomar um remedinho, como eles mandam, você para e vai trabalhar… Não no Itaú Cultural, mas no Itaú banco, mesmo”, brinca, mantendo o tom de afirmação séria. “O artista é um cara que não se adequa a nada”, resume, quando os risos já cessaram.

No fim da reportagem tem uma entrevista exclusiva com o artista 😉

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