Até logo!

Em fevereiro último, vagava pelo Facebook até que deparei com um post do artista Eric Peleias: “Sobre a eterna crise: Se não nos unirmos morreremos sozinhos. Estou falando com você que está lendo e que está em dúvida sobre o futuro. Especialmente se trabalhar com quadrinhos ou outra forma de produção cultural”, ele escreveu. Não sei em que contexto, provavelmente econômico. Mas isso não importa. O que importa é a morte anunciada em caso de falta de união.

Este blog nasceu de uma carência que eu tinha como leitor. Depois de devorar alguns quadrinhos brasileiros, eu corria pra internet em busca de uma entrevista com o autor, mas nada encontrava. Raramente encontrava, sendo mais justo. Então decidi arregaçar as mangas e fazer eu mesmo. Obviamente, bebi da fonte de muitos caras que me inspiraram, do cenário de HQs ou não. Foi legal, foi bacana, mas tem horas que as dificuldades batem à porta e o desânimo é maior.

Este novo cenário brasileiro de quadrinhos está repleto de blogs que fazem críticas/resenhas, que anunciam lançamentos, divulgam HQs desconhecidas do grande público, mas sempre me incomodou a ausência da voz do autor, da entrevista, da exposição das ideias do cara. Blogs como o Vitralizado, tocado pelo sensacional Ramon Vitral, são essenciais para quem quer entender a fundo os autores que compõem o mercado brasileiro de HQs. Mas, infelizmente, essa iniciativa ainda é novidade, é raridade.

Quando eu estava lá no comecinho do blog, primeiros meses, todo animação, fui ignorando o que depois passou a me incomodar. São coisas chatinhas, mas brochantes prum cara que tá fazendo um trabalho sem nenhuma remuneração, com a única esperança de fomentar um cenário que é louco pra ver crescer.

Bem, as situações são inúmeras, mostra do amadorismo que impede o mercado de crescer: tem o artista que “desculpa, não dou entrevista – mas nem por e-mail? – não, cara, desculpa”, tem o outro que responde isso aí mas dá as caras quando é uma reportagem prum veículo de maior alcance, tem aquele que nega uma entrevista mas uma semana depois fala com outra pessoa, tem o editor que mais dificulta que facilita o acesso ao artista, tem o editor e o artista que escolhe um ou dois jornalistas/blogueiros e só esses são “credenciados” pra bater um papo, tem o cara que “respondo quando puder!” e nunca mais, tem o outro que sempre pede desculpa por não ter respondido quando te encontra e tem o que pede desculpa por não ter respondido a mensagem de dois meses atrás, mas que participou da coluna do Blog do Fulano esta semana.

E o artista/editor/envolvido está errado? NÃO. É claro que não. É direito dele fazer o que bem entender. Mas é complexo e esquisito clamar por espaço na grande mídia quando se recusa o espaço no blog pra quem curte HQs. Há dois anos e meio, eu nunca tinha lido um quadrinho brasileiro na vida. Culpa minha? Talvez. Mas eu juro – pode parecer piada – que eu nem sabia que se fazia quadrinhos no Brasil. Eu conhecia uma meia dúzia de pessoas que lia quadrinhos e nenhuma delas consumia HQs brasileiras porque não conhecia, as obras e os artistas não chegavam até elas.

Temos uma classe quadrinística desunida, enclausuradas em suas panelinhas, que hostiliza quando membros de outras panelinhas tentam participar de uma discussão, contribuir. Coisa de criança, ambiente infantil. Na moral? É foda. Aí a cada quatro entrevistas que você vai atrás, se disponibilizando a falar a qualquer dia, horário, via e-mail/telefone/Skype/tête-a-tête, uma vai pra frente.

É bizarro este panorama. Nunca enfrentei esse tipo de dificuldade fazendo cobertura de cinema, literatura, teatro. Os artistas agradecem a oportunidade de poder falar e o jornalista agradece a disponibilidade do artista. É uma parceira, esforço mútuo, sobretudo quando entrevistador e entrevistado deveriam ter o mesmo objetivo comum: divulgar a obra e o mercado. Infelizmente, com quadrinhos brasileiros não é assim.

Enquanto os quadrinistas brasileiros continuarem com atitude amadora, o mercado continua sendo amador. E todo mundo perde com isso: o artista, o jornalista, o leitor, o editor, o possível leitor!

Apesar dos problemas, encontrei e conheci muita, muita gente boa, solícita e amigável pelo caminho. Gente que, como citei acima, transparecia a vontade de ver o cenário crescer, que sentia prazer em falar sobre sua obra. Se você é um desses entusiastas, o futuro dos quadrinhos brasileiros está em suas mãos. São esses os “capacitados” para fomentar a união necessária.

No mais, este é um até logo. Foi bacana demais, apesar de não parecer! haha

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